Quem me acompanha sabe que estou passando por tempos realmente complicados nos últimos anos, começamos com a esclerose múltipla; sintomas, suspeita da doença, diagnóstico e a aceitação. Reaprendi a montar, tive que reduzir drasticamente a carga de treinos e vocês já sabem.

Bom não paramos por aí. Comecei este ano bem mal, muito mal. Entre hospitais, laboratórios e consultórios, esta foi minha rotina nos 3 primeiros meses e sem muito tempo para treinar. Até que veio mais um diagnóstico. 

Acontece que quando se tem uma doença autoimune, você fica mais propenso a ter outras, com isso veio a doença de Crohns.

Ok, e o que isso afeta? Basicamente todo seu trato digestivo, desde a entrada até a saída. Então se a pessoa que tem esta doença não é devidamente medicada as consequências não são interessantes. No processo de descoberta dela, sofria com muita cólica, a ponto de não conseguir sair da cama. Ficando mais fácil de explicar o sistema digestivo estava inflamado então não havia como a comida se movimentar, tirando que o corpo inteiro fica inchado e você vai perdendo forças, juntando tudo isso com uma dor insuportável…

Esse foi um breve resumo, notícia boa e que hoje em dia esta doença pode ser controlada por medicamentos e tomando eles da maneira correta o máximo que você pode sentir são algumas cólicas controláveis e mais alguns sintomas chatinhos.

Com tudo isso acontecendo, minha égua resolveu mancar e tínhamos acabado de começar o segundo ano da Copa Clube do Hipismo. Juro, dessa vez não pensei duas vezes, olhei pro Biscoito e pensei “será que conseguimos saltar mais de 1m?”. Faziam algumas semanas que eu não montava, apenas caminhava com a minha égua e alguns anos que eu não fazia pista acima de 1m. 

Mas eu precisava daquilo, precisava mostrar pra mim mesma que eu era capaz, que todas estas doenças podem até ter me enfraquecido, mas desistir, jamais. Então peguei meu grande parceiro Bis, desci para a pista e pedi para meu pai colocar os obstáculos acima de 1m, não me importava a altura (sei q meu pai cuida de mim, então ele colocaria de uma maneira que não oferecesse grande risco para nós dois). 

Eu e o Bis não saltamos mais juntos há muito tempo (emprestei ele para minha filha mais velha), acho que a última vez que havíamos feito uma pista acima de 1m havia sido em 2015. E lá fomos nós, me senti livre, leve, como se tivesse nascido para isso. Eu e ele, ele e eu, sempre fomos um só. Fizemos a pista e fizemos muito bem, eu me senti bem, ele se sentiu bem, sabemos que juntos sempre fomos e sempre seremos capazes de tudo.   

Depois disso, fizemos também a pista da segunda etapa, a mesma coisa, acima de 1m, na altura que meu pai escolhia os obstáculos. Tão bom me sentir viva e capaz. Sei que não dá pra fazer isso com tanta frequência, meu fiel companheiro vai completar 21 anos este ano, com muito orgulho.

Mas poder saber que continuo sendo capaz, mesmo com todas as limitações impostas pelas minhas doenças, isso não há o que pague. 

Agora eu vou dar uma pausa, para me recuperar, juntando a perda de força do lado esquerdo pela esclerose (perna e braço) e a fraqueza que o Crohn me deixou, ainda minha égua que está com muita sensibilidade nas mãos. Vamos dar um tempinho e voltar mais fortes que nunca (dentro do possível). Novo desafio é que minha égua possa fazer pistas acima de 1m.

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